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Sex, 23 Set - 10h05
Rita pode prenunciar ano recorde para furacões--especialista
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Por Stephanie Nebehay
GENEBRA (Reuters) - O furacão Rita, que se aproxima do litoral do Texas, deve provocar enormes estragos e pode ser o prenúncio de um número recorde de tempestades no Atlântico neste ano, alertou na sexta-feira a principal especialista da Organização das Nações Unidas (ONU).
Nanette Lomarda, diretora-interina do programa de ciclones tropicais da Organização Meteorológica Mundial (OMM), disse também que o número de tempestades das categorias 4 e 5 (o topo da escala) praticamente dobrou nos últimos 35 anos.
Mas, segundo ela, é prematuro dizer que a freqüência e a intensidade dos furacões na última década -- alimentados por uma superfície marinha mais quente -- possam ser atribuídas ao aquecimento global. Lomarda considera que seriam necessários mais estudos científicos para atingir tal conclusão.
Rita, um furacão da categoria 4, cruza o golfo do México em sentido noroeste, com ventos de quase 220 km/h, segundo o Centro Nacional de Furacões dos EUA. Ele deve chegar ao Texas e a uma parte da Louisiana na noite de sexta-feira ou madrugada de sábado. Pode atingir também setores importantes da indústria petrolífera norte-americana.
"Os danos devem ser bastante amplos. Tomara que as desocupações tenham sido feitas e que possamos salvar muitas vidas. Mas não se pode dizer que haverá zero morte", disse ela à Reuters na sede da OMM, em Genebra.
"Como estamos na 17a. tempestade e temos dois meses para o final (da temporada de furacões), há uma possibilidade de que ultrapassemos 21, o que seria um recorde. A última vez que tivemos 21 tempestades com nome (no Atlântico) foi em 1933", afirmou. Em 2004, houve 16 tempestades com nome na região.
O próximo ciclone tropical, chamado Stan, está se formando, segundo Lomarda. Os nomes seguintes na lista são Tammy, Vince e Wilma. Caso esses nomes se esgotem, os meteorologistas vão recorrer ao alfabeto grego para batizar qualquer tempestade com ventos superiores a 63 km/h.
Os furacões são tempestades com ventos superiores a 118 km/h. No final de agosto, o Katrina devastou a Louisiana e o Mississippi, matando mais de 1.000 pessoas e deixando até um milhão de desabrigados.
No Pacífico, onde são chamadas de tufões, as tempestades são ainda mais violentas e atingem uma área maior que no Atlântico, segundo Lomarda. Há cerca de 30 tufões por temporada, que ocorre no segundo semestre.
O tufão Saola, o 17o. do ano no Pacífico, está sobre o Japão e pode se aproximar de Tóquio no fim de semana, segundo a meteorologia local.
Damrey, o 18o. tufão, se afastou do norte das Filipinas na sexta-feira, depois de matar pelo menos 16 pessoas na ilha de Luzon. Ele se dirige agora para o sul da China e Hong Kong.
"Alertas de furacões nunca são emitidos à toa, eles devem ser levados a sério", disse Lomarda, que é filipina. "Se as autoridades de emergência dizem para sair, estão dizendo que você salve sua vida. Os bens materiais sempre poderão ser substituídos."
No Atlântico, o Rita está um pouco a leste de Galveston e Houston -- a quarta maior cidade dos EUA, com mais de dois milhões de habitantes. Mas seu destino ainda é incerto.
O Centro de Furacões dos EUA disse que ele pode se deslocar gradualmente a noroeste nas próximas 24 horas..
Os ciclones no Atlântico eram ainda mais frequentes na primeira metade do século passado, mas diminuíram entre as décadas de 1970 e 90, segundo Lomarda, que aponta "tendências cíclicas".
"Foi durante a baixa frequência de furacões nas décadas de 1970 e 80 que tanta gente foi seduzida a se mudar para áreas vulneráveis a furacões, acreditando que eram seguras", afirmou.
(Com reportagem de Erwin Seba em Galveston, Texas, Manny Mogato em Manila e Isabel Reynolds em Tóquio)
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